Eu, o Mundo e o que está além dele


03/08/2005


Lembranças de um mundo palpável

Acabei de chegar em casa e minha mãe me apareceu com um cartão postal pra me mostrar.

Um cartão escrito por um tio dela, em 1951, 20 dias antes dela nascer.Endereçado aos pais dela.Desejando, em uma forma de escrever há muito tempo deixada pra trás, felicidades ao bebê que ia nascer e à sua família.

Um gesto de 2 minutos que me fez correr pra cá.

Minha mãe sempre teve mania de fazer essas coisas.Meu pai também.São incontáveis as vezes que eles (ela principalmente) me apareceu com alguma coisa antiga.Uma carta, uma foto, um cartão postal.

De todos os tipos, de tudo quanto é gente, principalmente da minha família, e até minhas.

Textos publicados pelo meu avô em jornais (o cara sabia escrever, e como sabia), fotos de casamento monstrando os tios e as tias todos mais novos do que eu sou agora, cartas a ela quando eu estava pra nascer, cartas minhas de quando eu era pequeno, cartas deles mesmos (meus pais) endereçadas a mim me parabenizando quando eu terminava as primeiras séries da escola entre os melhores da classe (sim, eu já fui o melhor aluno da classe, mas isso só durou até meus 15 anos, quando eu resolvi repetir de ano pela primeira vez), e um mundo de coisas.Coisas de 10, 20, 30, 40, 50 anos atrás.Coisas que são, de certa forma, nossas.

Mas dentre as coisas interessantes que existem nessas memórias (e levando em consideração que as vezes tem muita coisa chata, tipo, é um pé ficar ouvindo história da minha tia-prima-bisavó que em 1938 fez sei lá o que...), o que mais chama a atenção é a empolgação deles.Dá pra notar fácil a sensação gostosa que é lembrar de coisas do passado, que podem ser vistas ainda hoje.Coisas de quando eram jovens.De quando eram crianças.Ou de quando faltavam 20 dias para nascer...

Daí eu penso se todos os pais são assim.Se todos tem mania de mostrar coisa antiga pros filhos.

E daí eu penso em mim.Meu passado é tão pequeno ainda mas eu tenho tanta coisa guardada... Acho que não há nada melhor pra lembrar das pessoas e lugares do que cartas e fotos.Tenho bastante.Desde um bilhetinho bobo de "boas férias" da minha professora de ginásio até belas cartas de amor da minha primeira namorada, passando pelas cartas malucas que o Corradi me mandava no meu aniversário, escritas em guardanapo de boteco.E fotos, fotos, fotos...

Que digam que eu vivo do passado, mas estarão enganados.A nostalgia natural de todos eu também tenho, claro.Sou testemunha daquela frase maldita que toda-criança-escuta-e-jamais-acredita : "Aproveita agora, é a melhor fase da sua vida".Isso bem na época em que mais queremos crescer logo.Bem irônico.Mas o que acontece mesmo comigo é que eu gosto de ter as coisas guardadas pra lembrar.E gosto de guardar as coisas hoje para lembrar depois.Gosto de ter um "histórico" da minha vida.

E isso está se perdendo hoje.... as cartas que eu trocava, as fotos que eu recebia e tirava... não estão mais na minha gaveta.Estão no meu computador.Não há mais cartas, há emails.Daqui há 10 anos, se eu quiser ler alguma carta que me mandaram, provavelmente vou ter que lembrar se eu fiz "backup" daquilo, ou se a dita cuja simplesmente se foi pra sempre quando eu troquei de computador...

Hoje, é só formatar a máquina que as fotos, cartas, cartões virtuais ja eram... nunca mais.Já escrevi e recebi muito mais emails do que cartas escritas a mão.Óbvio.Mas não estou contando aqui os emails rápidos de "bom dia, tchau" ou as brincadeiras da internet.Nem mesmo os rápidos memorando de trabalho.Estou contando as cartas importantes.Quem nunca trocou um email de 500 linhas com alguem há 4 anos atrás... e não faz a menor idéia de onde ele foi parar ?

Se fossem cartas, estariam lá, a gente poderia ler de novo um dia... cartas a gente não joga fora como sendo uma coisa "de todo o dia"...

Tenho mais lembranças "paupáveis" de quinze, vinte anos atrás do que de cinco.Agora é tudo luz na tela, não posso pegar, ver a foto meio amarelada de velha, ou a tinta meio borrada e apagada da carta...

Será que quando eu tiver um filho, ALGUEM vai me escrever uma carta a mão ? Provavelmente vou receber trocentos emails, cartõezinhos virtuais, "scraps" de felicidade.... mas vai tudo estar "jogado", ou dentro da internet, ou dentro do meu computador... e a gente sempre troca de computador... e não é sempre que fazemos backup de absolutamente tudo...

Eu ia gostar de, daqui há uns 30 anos, mostrar pra alguem uma carta que me mandaram hoje.Ou simplesmente ler a carta.

Ou uma foto.

Ou um cartão postal...

Será que daqui há alguns anos eu vou ter backup de tudo que recebi no micro em 2005, como eu teria uma carta guardada na gaveta, por exemplo?

Eu amo a tecnologia.
E morro de medo dela.

E ninguem percebe que ... ah, não, não vou ser chato hoje.Ainda não.

E cansei de escrever.

tatá

Escrito por Rodrigo às 01h55
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02/08/2005


Rock, morte e blablabla

(Quem vê pensa que passei 24 horas comendo... mas era falta de inspiração mesmo).

Certo, se eu for ficar nessa ladainha de buscar algo "suprasumo" pra escrever eu não começo nunca.

Ando trocando uns emails com a Beth (oi, Beth, tenho certeza que você tá me lendo) falando de um monte de coisas (e um monte de bobagens como a gente gosta de falar) e no meio disso tudo acabei resgatando um gosto meu que estava perdido por um tempo (apesar de nunca ter estado morto)... os rocks "porradas" da minha adolescência.Mais especificamente falando, bateu uma bela saudades da banda Megadeth (só eu ainda gosto deles, será ?), ao lembrar de um acidente punk que rolou na Raposo Tavares anos atrás, quando a música Holy Wars tocava ao fundo (no som do carro, no último volume)e meu amigão Thiago teve a moral de fazer o carro andar em duas rodas e porrar no muro... putz, foi lindo, mas deixa pra lá.

O que rola é que no meio disso tudo acabamos falando de outra música deles (A tout le monde) que bateu coincidentemente com o fato de que um amigo dela faleceu...

E como a gente encara a morte, hein ? Quem sofre mais ? Quem morreu, quem está morrendo, ou quem ficou ? Ou quem sente que está pra perder alguem pra sempre ?

Primeiramente eu não acredito nesse "pra sempre"... Eu detesto religião e nunca gostei dessa idéia de "voltar pra pagar os pecados" pois nunca fez sentido pra mim.Mas ao mesmo tempo nunca deixei de acreditar que a morte não é algo definitivo.

Pura lógica.A gente nasce, cresce, luta, sofre...e morre... pura e simplesmente ? Certo, muitos "biólogos" em plantão diriam que isso é fato, que só estamos aqui para perpetuar a nossa espécie, que a função dos seres vivos é apenas garantir que ainda existam seres vivos... Mas eu sou egoísta, não quero apenas viver para isso, e não posso viver acreditando nisso.

Somando isso hoje ao fato de eu estar ligado a uma filosofia que vê a morte de uma maneira bem diferente (um passo, frente a um grande caminho), chego a conclusão de que existe muita coisa pior na VIDA do que na morte.E que, invariavelmente, quem sofre mais com a morte são os que ficaram vivos...

Sim, pela saudades que sentimos da pessoa, e pela sensação que temos que "nunca mais" estaremos próximos dela...

O ser humano se apega e não sabe como largar... e daí vem toda aquela história de que a gente se preocupa muito mais conosco, que a tristeza pela morte de alguem nada mais é que puro egoísmo.Quantas vezes não sabemos de alguem que se foi e deixou pra trás pessoas pensando "poxa, eu tinha tanta coisa pra dizer a ele(a), há tanto que eu queria que ele(a) soubesse... e agora perdi a chance".... puro egoísmo... a gente se preocupa com a gente mesmo, em como nós (que ainda estamos vivos) vamos conviver com tal "culpa"... Ah....que bobagem, viu...

E eu acredito que aqueles que estão para morrer muitas vezes percebem isso.E acabam se prendendo a esse mundo por causa dos outros, para trazer paz aos outros...

E nisso agora me lembro do meu avô...

Ninguem (ninguem mesmo) da minha família vai concordar comigo, mas tenho certeza de que ele passou 3 anos praticamente em estado vegetativo na cama de um hospital apenas porque ele sabia que muita gente ia enlouquecer se ele simplesmente fosse embora.Claro, há aquele primeiro momento em que você luta pela própria vida...mas foi além disso.E ele sofreu pelos outros, para "dar tempo", para que "fossem se acostumando aos poucos"... até o momento de perde-lo.

Só foi embora mesmo quando ouviu palavras confortáveis de que ele podia ir em paz...

Apegos, apegos....DÍVIDAS.... poxa... a gente faz as coias por motivos tão errados...

Não posso afirmar que nunca mais vou chorar a morte de ninguem, isso é um absurdo, mas acho que posso enxergar as coisas por ângulos diferentes... Até mesmo na MINHA morte.Poxa, se eu tiver que ficar "me arrastando em vida" por causa de outras pessoas que não compreendem o sentido da vida, daí é que eu morro na hora mesmo. hahahahahahahahaha

Então vejo ainda mais claramente que a morte é um processo da vida (afinal, não é famosa "única certeza da vida" ?), pelo qual nós temos que passar e simplesmente aceitar isso.Até porque a morte não é o fim..... AH, MAS NÃO É MEEEEEESMO ! (não pode ser)....

Legal,legal... escrever sem pensar é mais produtivo mesmo...rs

Enfim, uma maneira interessante de encarar a "delicia" da morte (e a dificuldade da vida) é entender a filosofia dessa letra :

A TOUT LE MONDE

Don't remember where I was
I relized life was a game
The more seriously I took things
The harder the rules became
I Had no idea what it cost
My life passed before my eyes
I found out how little I acomplished
All my plans denied

So as you read this know my friends
I'd love to stay with you all
Please smile when you think of me
My body's gone..that's all.

A TOUT LE MONDE
A TOUT LES AMIS
JE VOUS AIME
JE DOIS PARTIR
THESE ARE THE LAST WORDS
I WILL EVER SPEAK
I'LL EVER SPEAK
AND THEY'll SET ME FREE

If my heart was still alive
I know it would surely break
And my memories left with you
There's nothing more to say

Moving on is a simple thing
What it leaves behind is hard
YOU KNOW THE SLEEPING FEEL NO MORE PAIN
AND THE LIVING ARE SCARRED


Adoro essa música.

As pessoas que não conseguem entender o que as bandas de "rock porrada" falam jamais sairão do seu mundinho de pagodes, axés e todas essas baboseiras, onde o legal é falar "eu te amo e você me deixou, ulaula de lá, quebra quebra daqui, o pinto do meu pai fugiu com a galinha da vizinha e só love só love".

Tatááá !!!











Escrito por Rodrigo às 19h21
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01/08/2005


Teste feito

Caramba, nunca pensei que eu fosse achar isso meio complicado...

Pronto, criei um blog.Para delírio de alguns, surpresa de outros ou simplesmente atendendo a pedidos...

Conseguiram me convencer de que existem pessoas que estariam dispostas a ler todas as bobagens que eu tenho mania de escrever...

Não sei o que foi mais chato, tentar escolher um "tema" que tenha algo a ver (essa coisa dark pode não ter sido a melhor escolha do mundo, mas enfim), dar um nome pra coisa ou entrar naquela parte de "configurações" pra entender exatamente como essa parada funciona.

Mas eu sei sim o que é mais DIFÍCIL.... simplesmente começar.Tantas coisas pra escrever e não faço a mínima idéia de por onde começar.

Na falta de inspiração, vou apenas agradecer o povo que puxou meu saco falando que eu escrevo bem e que deveria criar um Blog (não tinha um nome menos estúpido pra isso ? Blog, Flog, Slog, blablbla, coisa estranha)... não preciso citar nomes, vocês sabem quem são. (e se não sabem, problema de vocês).

Estou com fome.Depois de comer e procurar algo de bom pra escrever, eu apareço...

Escrito por Rodrigo às 18h44
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Testando....

Até aqui tudo bem....até aqui tudo bem....até aqui tudo bem.....

Escrito por Rodrigo às 18h16
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